Fui beber de sua fonte e percebi o quão seca ela estava.
Deparei-me com um vazio imenso onde sempre busquei inspiração.
O que fazer? Onde foi parar? Nunca mais me deleitar em seu bem querer?
Por um instante fiquei sem palavras. Estava sem meu ponto de partida.
Passa um, dois, três. O silêncio, a raiva, o desespero.
Mais um trago. Um olhar, profundo. Outro trago.
Começo a rascunhar versos que mais parecem grunhidos.
Paro, analiso, penso. Procuro um novo sentimento espontâneo.
O som do vento,o frio da noite, uma boa tequila, um novo amor...
Nada era tão intenso quanto à luz que outrora foi minha.
Período de adaptação. Volto a rabiscar as vogais em minha cartilha do primário.
A, sempre o amor.
E, uma pausa explicativa.
I, o meu maior anseio: inspiração.
O, inicial para um vocábulo masculino, a letra mais forte, mais presente em meu eu lírico.
U, o final.
Porém ainda me faltava algo. Minha ânsia, meu anelo, minha cobiça.
Entre risos forjados, conversas ensaiadas e pequenos insultos que fico em meu bloco de notas. Editando novos trechos de um poema velho.
Já longe em minha trajetória olho para trás e avisto minha fonte, que mesmo sem me cativar a novos versos continua bela, com seus ornamentos, com sua sombra bem disposta. E eu parado admiro, sem palavras. Só desejos.
Ato de sonhar.
Fecho os olhos e a escuridão que vejo começa a se colorir.
Logo vêm os tons de amarelo formando seu rosto em minha mente.
Mente tola essa, que mesmo fraca insiste em pensar nas bobagens escritas entre suas vírgulas, tão apreciadas por seu alterego.
Em meus sonhos tudo acontece de forma magnânima, como se felicidade fosse à coisa mais simples que existe.
Foi em meio dessas ilusões que meu telefone tocou, voltei à sala onde me esperavam ansiosos.
Sua surpresa ao me ver era contagiante. Ao fundo uma musica tocada no violão por um aluno inexperiente, embalou essa noite.
De repente alguém bate em minha porta e acordo, minutos depois volto a dormir.
Sempre desejo voltar ao sonho que me faz bem, mas nessa noite, não.
Sentia-me aliviado por não estar mais em sua presença, que mesmo em sonho me perturba.
Mas como minha mente ainda esta vagando no bosque azul que pintaste noites atrás, voltei a ilusão do bem estar que é sonhar com você.
Outra vez estou ao seu lado. Durante sua dança, enquanto fuma seu cigarro, no mesmo momento em que você, com sua cara de pau me ignora.
Sempre estou.
Apenas estou.
Estou.
E fico aqui mesmo quanto meu convite se perde em meio a tantos.
Mas quem disse que sonhos têm que ser bons? Afinal existem os pesadelos.
Esses que nos fazem acordar suados. Assim como acordei essa manhã. Mas não foi de medo que isso ocorreu. Foi de outra sensação. Essa muito apreciada. Mas novamente ficou ali. Em meu sonho. Em meio aos cobertores, debaixo de meu travesseiro, ali onde voltarei horas depois, ainda pensando em você. Culpa da minha mente.
Oh, que inconveniente que é você, mente enganada. Mente apaixonada.
Quanto custa uma verdade?
Ser honesto é um dos grandes desafios da humanidade. Talvez o maior.
Ninguém é verdadeiramente honesto, mas é preferível que tente ser o maximo possível.
Todos os dias as pequenas lorotas vão se acumulando, até culminar em uma grande mentira sem controle.
Não se esconda atrás de seus amigos, de seu sorriso, de sua dança.
Não me iluda com suas rimas, com seus versos e suas estrofes.
O que mais quero é a sinceridade, seja ela para um começo ou para um final.
Se todos fossem honestos um com os outros, não existiria a dor, o preconceito, os inimigos.
Por tudo dito, ainda soa em meus ouvidos a palavra mais triste que li, não.
Como posso viver sem?
É tão difícil quando você não me acompanha.
Não sei me expressar, me libertar. Acabo reprimido.
Fico preso às ideais compactas. Simples. Pobres.
Sem você não consigo projetar meu eu narcísico.
Como me realizar sem suas palavras, sem o bem estar que me proporciona?
Estou à mercê de suas vontades e quando não está presente fico pálido.
Os versos no fundo azul não são completos.
As rimas que fiz não combinam com o papel envelhecido que encontrei.
Mesmo que curto, seu espaço me completa e ilude.
Fico na ilusão que sou compreendido por todos.
Mesmo quando todos estão longe, como você.
Não sei me expressar, me libertar. Acabo reprimido.
Fico preso às ideais compactas. Simples. Pobres.
Sem você não consigo projetar meu eu narcísico.
Como me realizar sem suas palavras, sem o bem estar que me proporciona?
Estou à mercê de suas vontades e quando não está presente fico pálido.
Os versos no fundo azul não são completos.
As rimas que fiz não combinam com o papel envelhecido que encontrei.
Mesmo que curto, seu espaço me completa e ilude.
Fico na ilusão que sou compreendido por todos.
Mesmo quando todos estão longe, como você.
O que é ser moderno?
Ser moderno é andar a frente de seu tempo?
Mas não seria a coisa mais antiquada andar da mesma forma que todo resto? Uma vez que todos andam para frente.
Conclui-se então que ser moderno é andar para trás.
Andando para trás voltamos alguns instantes, onde ainda não tinhamos a liberdade de nos expressar.
Voltando assim ao tempo dos avós, onde era proibido ser quem você era. E isso é a coisa mais antiga que existe, pois todos sempre desejam ser algo que ainda não são.
O ponto certo para ser moderno seria então ser aquilo que você deseja, mais isso é um sentimento antigo, resolve-se dessa forma ser tudo aquilo que não sonhamos.
Ao final somos realizações de sonhos estranhos, somos pessoas que voltamos ao passado querendo o futuro e nos tornamos tudo aquilo que não é ser moderno.
Viramos adultos.
Que é a coisa mais velha para um modernozo atual.
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