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Feliz Ruina

Quando eu ouvia meu coração
Apertado ao conversar
Sempre ressoava a velha canção
É dois para lá, dois para cá.
Se o nó vem na garganta
E meu corpo treme sem parar
Já me pego dançando
Igual bêbado a se equilibrar
Mas ainda me recomponho
Não vou desistir jamais
Quero toda a felicidade
Como via em nossos pais

olhares

...esses dias que eu vim questionar
os olhares podem falar
nos entregam de varios modos
são companheiros na conquista
delatores a toda vista
um olhar marejado entrega
sem dizer muitas palavras
me despeço dos ansejos
deixo para trás esses meios
que insistem em não finalizar...

ReL[atos]

Não basta pedir
Nem implorar
A vida que foi
Não vai voltar

Por apenas um dia
Foi só um instante
Um piscar de olhos
Nada [ir]relevante

Se estivesse comigo
Teria cuidado
Seria diferente
Não teria me machucado

Busco sempre um sentido
Almejo aquele desejo
Pleonasmo [en]coberto
Por não ter seu beijo
 
Felicit[ações] a quem está aqui
Gratific[ações] por não sair
Recomend[ações] de ser
Ingratidões de viver

Se eu estivesse

Se eu estivesse....
Apaixonado por você
Desistindo de ter
Querendo ser

Se eu estivesse...
Sonhando contigo
Não ser só amigo
Querer ser seu abrigo

Se eu estivesse...
Não sentindo
Nem sorrindo
Ao menos rindo

Não digo se eu não estivesse...
Porque estou e ainda nem sei

Faz sonhar

Faz de mim
Um homem
Perfeito
Bem feito
Um homem

Sai de mim
Mal olhando
Encarado
De fato
Olhando

Oh meu rei
Sei bem
Sonha sim
Sonha em mim
Sonhar

Conversa distante

De longe te olho
-De perto devoro

Desejo constante
-A vida distante

Aproveito agora
-Logo vai embora

Que leve no peito
-Que foi bem feito

Se tu volta aqui
Já não deixo partir
-Como fico sem ti?

...não tenho resposta.

Atitude certeira

Que me fez rir
Dançar e sentir
Estou vivo de novo
Faço parte do povo
Que vive e ri
Sonhando sorri
Daquela besteira
Da nossa zoeira
Onde você me viu
E veio criar
Tudo de novo

Qual o valor de sonhar?

De que vale pensar no amanhã?
Se o amanhã nunca chegará.
De que vale sonhar com o "se"?
Se o "se" nunca existirá.
De que vale fazer um plano?
Se ele nunca se concretizará.

...quer realmente saber o valor?

Sonhar!

Conversando com a lua


Talking to the Moon by Bruno Mars

Não sei dizer tudo o que desejo, mas tentarei:

- Quando fecho os olhos e te vejo. Fico atormentado.
Pelo seu sorriso, pela sua voz e por tudo que faz você ser
A maior beleza que eu quero ter.
E ainda não sei dizer como me sinto ou como te vejo.
É tão difícil para mim, sei que é o amor. Apenas eu não sei...
Se terei o seu sorriso, se ouvirei sua voz e tudo que faz você ser
A maior beleza que eu quero ver.
Estando frente a frente, volto a me recolher, pois não sei dizer:

- Quero o seu amor.

Coleção Versos Ilustrados: #1

Uma chave pode abrir e fechar visões. Iniciar e terminar caminhos. É fato e sonho ao mesmo tempo. É uma busca infinita por um espaço onde possa se encontrar.


O tempo anda corrido e para conseguir manter o blog com conteúdo
do qual me proponho apresentar, lanço agora minhas coleções.
A primeira em 5 partes. "Versos Ilustrados" vai mostrar um pouco
daqueles pensamentos que surgem no meio do dia,
quase sem querer, entrelaçando imagens e versos. Simples assim
.

Vale à pena sonhar?

Durante muito tempo me gabei por saber sonhar. Esse dom que tenho me deu uma imaginação muito fértil e desenvolveu minha criatividade. Porém o que eu não sabia era que aos poucos nascia algo dentro de mim que nunca morre é mais difícil ainda de tentar matar: a esperança.

Tenho fé nas forças de um relacionamento, seja esse amoroso, amigável ou desprezível . Pois amo e odeio da mesma forma e de igual para igual. Tenho asas que não foram feitas para voar, elas abraçam quem está ao meu redor para tentar acalmar sua dor.

O mais engraçado é que da mesma forma como tenho fé, eu sinto medo. Medo de não demonstrar minhas fraquezas como elas deveriam ser e ocultar tudo. Escrito nas entrelinhas dos meus olhares, dos nós em minha garganta e das noites no meu quarto escuro. Lá está esse medo de não suportar guardar tanta coisa e um dia explodir.

Sei que no fundo não tenho toda força que digo ter e que isso não é uma coisa ruim, pois todos tem suas limitações. O melhor é saber deixar as coisas fluírem, sem interferir no caminho de ninguém Mas como ser imparcial em um mundo onde as pequenas coisas não são valorizadas. Precisamos ser grandes, fortes e falar alto. Para um dia alguém olhar e dizer: Você soube sonhar.

Imagem: Sandra Silvestre

Leia a sessão "Entorpecidos".

Marcela: Eu te amo.
Fernando: Ama? Como assim me ama?
Marcela: Pela pessoa que você é, eu te amo.
Fernando: Você está bebada.
Marcela: Claro, se não já estaríamos discutindo.
Fernando: Porque?
Marcela: Você está demorando pra dizer que me ama também.
Fernando: Não faz essa cara de brava. Você sabe.
Marcela: Sei o que?
Fernando: Que está bebada hora essa.

E cada um foi para sua casa. Marcela desejando que ele acreditasse no que dizia e Fernando perdendo o grande amor de sua vida.

Fora de linha

Matheus é um típico bronco. Barba por fazer, cabelo meio despenteado, sisudo por natureza, sempre disposto a falar de futebol e um cervejeiro nato. Ele sempre andou na linha, com uma pontualidade e comprometimento invejável, estava sempre disponível a todos. Todos os dias ele escrevia uma critica para o jornal local, era algo simples, poucos caracteres e muita personalidade, ele era curto e grosso. Gostava de ler textos literários com certa freqüência, preferia os contos as poesias, poesias necessitavam de mais tempo para compreensão e para ele o tempo era muito valioso. Em seu dia ainda olhava umas fotos, dava uma olhada em uns recados, só não gostava daqueles lembretes em papeizinhos amarelos colantes, esses o irritavam. Ainda respondia umas perguntas anônimas, grifava certas frases que o agradavam em um texto e se divertia com uns joguinhos que deixava meio escondidos. Assim levava a vida, entre uma rotina e momentos (raros) espontâneos. Certo dia ele resolveu andar umas horas fora da linha, seria mais como um experimento, uma quebra de sua rotina. Essas foram horas memoráveis, dignas de explanação: Como naquele dia ele não teve tantos compromissos fúteis que consumiam seu tempo, ele foi dormir mais cedo. Consequentemente acordou mais cedo e fez algo que há muito não fazia, tomou café da manhã, com direito a geléia de morango e leite com café quentinho. Saiu de casa mais contente – bem humorado – e cumprimentou seu vizinho, que inclusive nem sabia o nome. Ao ver uma prima distante, ao invés de cruzar a rua como de costume, ele puxou assunto e se despediu depois com três beijinhos. Sentiu um prazer enorme em tirar duvidas dos colegas de trabalho e foi voluntário para uma apresentação da comissão de segurança no trabalho, elaborou gráficos e tabelas e tirou aplausos até de seu chefe – o mais chato que já teve. Voltando para casa comprou uma porção de comida mineira, a qual ele sempre fugia para não engordar e novamente foi dormir cedo. Esqueci de dizer, as horas fora da linha, se tornaram dias e logo em semanas. Vez ou outra ele volta a andar na linha (leia-se rotina), não é algo bom e nem ruim isso. Ele só notou que é preciso dosar o tempo gasto com bobagens. As pessoas deixaram de viver uma vida empírica para viver uma vida dos quase. Quase fiz isso, quase experimentei aquilo, quase sou feliz. Matheus ousou e viu o quanto é bom se desconectar dessa vida meio real, meio fantasiada. Hoje me dia ele acha quando escuta as pessoas cochichando quando ele passa:
- Pra mim ele tomou simpatizol!
- Que nada, ele viu foi passarinho verde...

Experiência Extra-literária

Ele estava deitado, em seu sofá de couro sintetico preto, o tecido já velho tinha alguns rasgos e arranhados feitos por sua gata siamesa que morrera há uma semana. O compromisso se aproximava, ele deveria levantar-se, mais o inebriante aroma de bolo de chocolate que vinha da casa ao lado lhe dera tanto sono que feito morte súbita dormiu. O sono foi tão imediato que em segundos sonhou, com pessoas poucos conhecidas ao som de uma musica muito conhecida por ele. Ouvira claramente Elephant Gun como trilha sonora de seu curta metragem metricamente vivenciado em curtos momentos:


If I was young, I'd flee this town
Se eu fosse jovem, eu fugiria desta cidade
I'd bury my dreams underground
Enterraria meus sonhos debaixo da terra
As did I, we drink to die, we drink tonight
Assim como eu, nós bebemos até morrer, nós bebemos essa noite

E ele acordou, meio em transe, meio bobo, meio zonzo e completamente inspirado. Digitou freneticamente, não sabia ao certo o que escrevia, mais ali estava, no fundo branco do papel digital, toda sua experiência extra-literária vivida em estado ren.
Agora transcrevo tal texto, receba como um depoimento secreto de um amigo, do tipo que você jamais aceitaria e jamais apagaria, ficaria ali na sua pagina inicial, feito prova de um crime. O crime de sonhar.

"E lá se foi o tempo,
Matando todas as promessas. Deixando-nos com cara de taxo ao falar sobre o destino.
Nossos sonhos não eram os mesmos, as cores estavam opacas. Existiam incertezas no ar.
Com o passar dos dias o laço foi ficando apertado, não sabia mais se findar como antes.
Agora estamos fortes e dispostos. Vamos encarar a guerra, o sono, o mundo, a vida...
Usaremos de nossa memória de elefante como arma e ela será suficiente para o confronto.
E se mesmo assim temermos, sempre existirá a grande cena de batalha em que acordaremos,
E o sonho irreal acaba para começar o sonho real. De tempos em tempos há esperança.
Não adianta lutar, pois lá se foi o tempo outra vez."

Video com imagens da miniserie Capitu (Rede Globo)
editado por César Lopes. Musica: Elephant Gun
Composição: Ryan Condon; Zach Condon Interpretação: Beirut

1982

{ADVERTÊNCIA ! Esse texto foi escrito ao som de Secret do Marron 5, se ler ouvindo tal som os efeitos alucinógenos podem se intensificar.}

Estava eu ali, parado no meio da praça. Olhava ao redor e todos pareciam andar em câmera lenta, eu sei que não existia mais mesmo assim comecei a ouvir a introdução de uma musica desconhecida, tocada no violão e que me fez ter alucinações.

Continuei ali delirando em meu estado rem, mesmo acordado sonhei. Permaneci desse modo por horas, dias, meses. Tornei-me estatua viva. Os pombos, as pessoas, a grama crescendo em volta dos meus pés, tudo me deixava pasmo com essa passividade em que me encontrava.

A praça? Essa se moldou aos meus pensamentos, durante os instantes vividos em meio a multidão inexistente (eternos instantes), o mundo deu uma volta e o dia ficou claro, e a guerra das Malvinas iniciou, e a Itaipu começou a gerar energia, e Bert McCraken nasceu, assim como Grace Kelly faleceu, e Michael Jackson dançou ao som de Thriller e mesmo assim não interagi com a sociedade, o medo de esquecer-te me condenou a perder minha vivacidade.

E com o passar dos anos minha historia não mudou, a praça foi restaurada, inventaram uma placa e colocaram nos meus pés, uma placa com um nome que não era meu, descreveram uma bela historia, mais ela também não era minha.

O tempo não me deixou envelhecer, minha pele de concreto não tinha rugas, minhas roupas não tinham cor e minhas mãos continuavam segurando o livro por elas escrito. Eu já sabia no dia em que te conheci que o meu caixão seria iludir-me com você. Entretanto decidi viver essa historia, uma historia que já nasceu condenada a morte Fui feliz pois tive seu sorriso, fui feliz nas noites que senti seu cheiro misturado com o meu e permaneci feliz ali na praça. Eternamente divagando hipóteses de como a vida seria ao seu lado.