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Um dia de amor


O dia se foi
A lua chegou
Cadê o amor?
- Suicidou

Bem vindo à noite
O sonho ficou
Cadê o amor?
- Ressuscitou 

Um novo passo
O sol retornou
E o amor?
- Multiplicou.


Nem tudo é uma historia de amor

Encontros marcados, planos não respeitados, noites em claro, dias a amanhecer, beijos trocados, corpos suados, nada ao acaso, tudo ao contrario. Somos espionados e às vezes julgados, nos sentimos encurralados. Se me vejo acuado seguro sua mão. Depois de um bom tempo percebo, você também me procura, quando sente medo, quando vê a solidão, quando à hora de crescer está próxima.
O orgulho? Às vezes fica ferido, mais como nem tudo é uma historia de amor, passar por cima do orgulho ferido é necessário, em alguns momentos crucial. Amar não é se expor. O amor é algo que sentimos em segredo e revelar o que sentimos ao mundo (ou parte dele) não é a melhor opção. Deixe que os curiosos continuem investigando nossa historia, dificilmente vão encontrar o nosso amor. Ele foi feito a dois, ele é só nosso.

Desbravadores


Do outro lado dessa roça há uma prenda
Quem se atreve a buscá-la, se encanta a cada passo
Poucos sabem sua localização ao certo e ao certo nada sabem
Vão às cegas, vagando e adentrando, esse plantio florido
Com atenção redobrada, respiração ofegante e peito aberto
Todos os arranhões, tropeços e deslizes são recompensados
Chegando ao limite desse único hectare de terra fértil
Encontra-se a grande premiação e com ela se consolam
Todas as noites perdidas espantando os corvos,
Todo suor derramado para cultivar esse leito,
Todas as lagrimas que regaram essa roça,
Tudo isso se esquece com a beleza dessa gratificação
Afinal existe melhor prova que roubar um coração?



imagem: www.iran-paya.com

Me diga o porque?

Qual o motivo de tanta angustia?
Porque ficar imaginando sempre o pior?
Não podemos confiar no positivismo?
Será sempre necessário essa dúvida na cabeça?

Respire fundo!
Você é mais que isso!
Não desiste!
Faça logo o pedido!

Tenho Medo...
Tenho frio na barriga...
Tenho a boca seca...
Tenho o coração apertado...

(16 horas é pouco)
{60 dias é muito]
{1 noite faz falta}
\ Infinitas questões \

Um dia atípico

Hoje acordei em um dia nublado.
O almoço foi ao som da chuva fina no quintal.
Arrumei meus lençóis com um friozinho muito agradável.
O chá das cinco foi embaixo da luz de um sol fraco de fim de tarde.
Espero a noite, não me importo se o céu estará cheio de reluzentes estrelas.
Nesse dia – um dos mais lindos do ano – eu não trabalhei, não estudei, não me cansei.
[Só amei (em segredo).

1982

{ADVERTÊNCIA ! Esse texto foi escrito ao som de Secret do Marron 5, se ler ouvindo tal som os efeitos alucinógenos podem se intensificar.}

Estava eu ali, parado no meio da praça. Olhava ao redor e todos pareciam andar em câmera lenta, eu sei que não existia mais mesmo assim comecei a ouvir a introdução de uma musica desconhecida, tocada no violão e que me fez ter alucinações.

Continuei ali delirando em meu estado rem, mesmo acordado sonhei. Permaneci desse modo por horas, dias, meses. Tornei-me estatua viva. Os pombos, as pessoas, a grama crescendo em volta dos meus pés, tudo me deixava pasmo com essa passividade em que me encontrava.

A praça? Essa se moldou aos meus pensamentos, durante os instantes vividos em meio a multidão inexistente (eternos instantes), o mundo deu uma volta e o dia ficou claro, e a guerra das Malvinas iniciou, e a Itaipu começou a gerar energia, e Bert McCraken nasceu, assim como Grace Kelly faleceu, e Michael Jackson dançou ao som de Thriller e mesmo assim não interagi com a sociedade, o medo de esquecer-te me condenou a perder minha vivacidade.

E com o passar dos anos minha historia não mudou, a praça foi restaurada, inventaram uma placa e colocaram nos meus pés, uma placa com um nome que não era meu, descreveram uma bela historia, mais ela também não era minha.

O tempo não me deixou envelhecer, minha pele de concreto não tinha rugas, minhas roupas não tinham cor e minhas mãos continuavam segurando o livro por elas escrito. Eu já sabia no dia em que te conheci que o meu caixão seria iludir-me com você. Entretanto decidi viver essa historia, uma historia que já nasceu condenada a morte Fui feliz pois tive seu sorriso, fui feliz nas noites que senti seu cheiro misturado com o meu e permaneci feliz ali na praça. Eternamente divagando hipóteses de como a vida seria ao seu lado.



Era sexo. Agora amor.

Sinto falta do tempo em que eu não amava, do tempo onde um beijo era simplesmente um beijo e o sexo era apenas a próxima etapa. Hoje não beijo mais que um por vez e às vezes isso demora tanto a acontecer. E o sexo se tornou algo incrivelmente fabuloso, mais do que me adianta se esse prazer só é alcançado com uma única pessoa.
Pergunto-me se não compliquei demais, se não exijo de mim uma fidelidade que não recebo em troca. Não digo traição de fato, eu cobro presença, não me importo se tem necessidade de sentir outras peles, mais que sinta a minha sempre que desejo. Não sou de cobrar presença continua, só gosto que apareça nos momentos certos.
Relações sempre me deram medo e hoje tenho medo de não querer se relacionar comigo. Sempre fui seguro e forte para gostar de alguém, atualmente fico sentado em minha cadeira, esperando abrir uma janela com o seu sorriso malicioso me dizendo: Vem pra cá, essa noite é nossa.